ENTRE FIOS E HISTÓRIAS: TECENDO COM ESSAS MULHERES — MÃES-NEGRAS-PESQUISADORAS NA EDUCAÇÃO

Nome: ANDRESSA PAULA DE OLIVEIRA

Data de publicação: 29/09/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CÂNDIDA ANDRADE DE MORAES Examinador Externo
EDNA CASTRO DE OLIVEIRA Examinador Interno
JACYARA SILVA DE PAIVA Examinador Interno
MARIA CAROLINA DE ANDRADE FREITAS Examinador Externo
MARIA ELIZABETH BARROS DE BARROS Presidente

Resumo: A tese se propõe a tecer com as experiências de mulheres negras, mães e
pesquisadoras, fiando suas trajetórias de resistência, luta e existência no campo
educacional. Na preparação dos fios, a escrevivência emerge como uma prática
ético-política e, na reinvenção das experiências de vida, o biografema atua como linha
que captura fragmentos de histórias, destacando detalhes aparentemente insignificantes
que, ao serem narrados, ganham potência. Assim, as narrativas dessas — e com essas
— mulheres são ressignificadas por meio de uma escrevivência biografemática.
Entrelaçam-se os fios nas conversas que brotam dos encontros, onde o coletivo se forma
em torno das histórias que emergem da experiência de cada mulher. Nesse tear
simbólico, maternidade e academia são tramadas com delicadeza e força, compondo uma
trama que não segue padrões rígidos, mas se reinventa a cada fio de resistência lançado.
Cada voz, um fio; cada verso, uma trama que se une à próxima, formando uma tapeçaria
de lutas, afetos e insurgências — um emaranhado de vidas que desafia as opressões de
raça, gênero e classe. Essa é uma tese artesanal. Foi fiada e desfiada tantas vezes quanto as histórias que a
compõem. Palavras foram refeitas, desmanchadas como linhas soltas, enquanto os fios
desenhavam o percurso de mulheres negras que tecem suas vidas entre a maternidade e
a universidade, lidando com a aparente neutralidade dos moldes acadêmicos. O caminho
atravessou territórios diversos, muitos marcados por dores silenciosas. Entre voltas e
desvios, uma pergunta retornava como ponto recorrente: o que nos trouxe a essa busca?
Não surgiam respostas individuais, mas fragmentos de experiências que, a cada novo fio
lançado, compunham uma trama coletiva. Cada capítulo desta tese é iniciado por um texto-conto, criado por mim —
pesquisadora-artesã que tece no coletivo, que fabula, imagina e cria fissuras no fazer
pesquisa. Esses contos-poéticos anunciam os temas seguintes e abrem frestas para uma
escritura que desobedece, que borda possibilidades outras de pensar, sentir e narrar a
pesquisa. A estrutura da tese também é guiada por gestos da tecelagem: começa por encontrar o fio
da meada, passa pela preparação dos fios, segue pelos teares da escritura e alcança o
momento de tecer as vivências. Cada parte é atravessada por um fio que costura teoria,
sensibilidade e experiência. Essa construção nasce de uma escuta imaginada entre
Conceição Evaristo e Roland Barthes — ela, que escreve com o corpo e a vida; ele, que
lê o mundo por detalhes e fragmentos. Entre os dois, aprendi a fiar: cada capítulo, um
ponto; cada fragmento, uma dobra que desestabiliza o tecido da escritura acadêmica.
Por fim, o capítulo derradeiro não encerra a tese: ele deixa um fio solto, daqueles que
convidam à continuidade. Um fio que segue, aberto a novas tramas e à possibilidade de
que outras mulheres também bordem suas escrevivências no campo da educação.

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