EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO: OS PROJETOS PEDAGÓGICOS DOS CURSOS PRESENCIAIS DE LICENCIATURA EM FOCO
Nome: GLEYSTON MARSSARTIER SANTANA MATILDES
Data de publicação: 02/06/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ALDIERIS BRAZ AMORIM CAPRINI | Examinador Externo |
| CLEYDE RODRIGUES AMORIM | Examinador Interno |
| DEBORA CRISTINA DE ARAUJO | Presidente |
Resumo: A formação docente, perpassada pelas relações étnico-raciais, constitui-se em um processo basilar no fomento a uma educação antirracista, crítica e transformadora. Nesse viés, este estudo objetivou analisar de que forma a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) é abordada nos cursos presenciais de licenciatura da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), nos campi de Alegre, Goiabeiras e São Mateus. Para tanto, foram propostos os seguintes objetivos específicos: analisar os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) presenciais de licenciatura da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) nos campi de Alegre, São Mateus e Goiabeiras; evidenciar a importância da disciplina ERER como um suporte para o enfrentamento ao racismo e a promoção de uma educação antirracista; propor, como produto educacional, um documento referência para a revisão e/ou ampliação da dimensão da disciplina de ERER na Ufes, como um documento de referência que oriente a revisão ou expansão da disciplina de ERER na Ufes, considerando desafios, como a carga horária limitada e resistências de alguns cursos em torná- la obrigatória. Metodologicamente, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, envolvendo análise documental de textos institucionais da Ufes, neste caso, os Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC) presenciais de licenciaturas. Fundamentou-se em autores/as como Oliveira e Silva (2000), Domingues (2007) Munanga e Gomes (2004) e Gomes (2017), dentre outros/as. A análise dos PPC revelou um panorama com lacunas preocupantes e recorrentes: a ERER frequentemente aparece como assunto periférico, restrito a uma única disciplina, ofertada de maneira isolada e, não raro, com baixa carga horária. Em alguns PPC o que se observou é uma presença tímida e, por vezes, meramente protocolar da ERER, marcada pela baixa carga horária, pela ausência de integração com outras disciplinas e pela fragilidade na fundamentação teórica das ementas; além de uma estrutura que insiste em manter a supremacia de determinados saberes e corpos em detrimento de outros. A persistência desse modelo formativo compromete a formação de educadores/as capazes de lidar criticamente com as dinâmicas do racismo, com a desigualdade social e com a pluralidade cultural presente nas salas de aula. A formação inicial docente, portanto, não se trata apenas de incluir a ERER como “conteúdo” ou como item curricular a ser cumprido, mas de compreendê-la como eixo estruturante. Isso exige ações estruturais e permanentes: revisão profunda dos currículos, ampliação da carga horária das disciplinas voltadas à temática racial, valorização de autores/as negros/as, indígenas e quilombolas nas bibliografias, ampliação do acervo literários das bibliotecas e revisão periódica dos PPC das licenciaturas.
