O CURRÍCULO DA ESCOLA FAMÍLA AGRÍCOLA DE OLIVÂNIA COMO RESISTÊNCIA, CONTRA-HEGEMONIA E INSPIRAÇÃO PARA CURRÍCULOS EM ESCOLAS URBANAS
Nome: ANDREY RECH DE LARA
Data de publicação: 10/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CHARLES MORETO | Examinador Externo |
| DEBORA MONTEIRO DO AMARAL | Examinador Interno |
| JANINHA GERKE | Presidente |
| JOÃO BATISTA BEGNAMI | Examinador Externo |
| ROGÉRIO OMAR CALIARI | Examinador Externo |
Resumo: Este estudo investiga o currículo e/ou Plano de Formação da Escola Família Agrícola (EFA) de Olivânia, localizada no município de Anchieta-ES e organizada na Pedagogia da Alternância (PA). A pesquisa adota uma abordagem qualitativa fundamentada na metodologia Materialista Histórica-Dialética de Marx e Engels (2009) e Gramsci (1975, 2007) na observação da luta de classes presente na disputa curricular da educação. A pesquisa contou com análise bibliográfica e documental das legislações da Educação do Campo e do Plano de Formação da EFA de Olivânia como espaços de resistência ao currículo hegemônico estadual, amparado em referenciais marxistas e na Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani (2005, 2015) e Duarte (2016, 2022). Destacamos a especificidade da PA quanto à sua origem histórica e suas Mediações Didático-Pedagógicas (MDP), a partir de Granereau (2023); Nosella (2014); Gerke de Jesus (2011, 2018); Caliari (2013); Benísio (2018); Begnami (2019); Gerke (2023). Com isso, o objetivo central da pesquisa é analisar quais saberes e fazeres camponeses estão no Plano de Formação da EFA de Olivânia e como eles podem contribuir para a organização de currículos estruturados em escolas urbanas numa perspectiva contra-hegemônica. O estudo inclui uma revisão da literatura sobre a PA e sua relação com a Educação do Campo como um processo de resistência e um contraponto ao ensino mercadológico presente em algumas escolas urbanas, além de uma análise empírica baseada em observação participativa e grupos focais, que foram organizados a partir de um roteiro semiestruturado e com a valorização das vivências, objetivos e anseios dos estudantes e dos profissionais da educação, que compõem a formação integrada entre escola e meio socioprofissional- comunitário. Os resultados indicam que a PA favorece um currículo construído coletivamente, integrando saberes comunitários, familiares e de trabalho aos conhecimentos sistematizados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), contribui para a organização das MDP que fazem a diferença no trabalho formativo. Desta forma, notamos que o vínculo entre teoria e prática, como técnicas de agropecuária, sistemas produtivos, criação de animais, conhecimentos sobre o clima, entre outros, podem contribuir à realidade urbana, gerando o elo entre a escola e os sujeitos.
