A MÚSICA EM LIBRAS NO CONTEXTO ESCOLAR: ARTICULAÇÕES SOCIOLÓGICAS DA TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO
Nome: PRISCILA ANDRESSA MUZY DE ALMEIDA LAMÔNICA
Data de publicação: 18/06/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ARLENE BATISTA DA SILVA | Examinador Interno |
| EULUZE RODRIGUES DA COSTA JUNIOR | Presidente |
| MÁRCIA LISE LUNARDI-LAZZARIN | Examinador Externo |
| PEDRO HENRIQUE WITCHS | Examinador Interno |
| SILVANA AGUIAR DOS SANTOS | Examinador Externo |
Resumo: O estudo tem como tema a atuação de Tradutoras e Intérpretes de língua de sinais (TILS) em apresentações musicais em contextos educacionais brasileiros. O objetivo é analisar as implicações sociológicas que atravessam as práticas e os processos de tradução e interpretação de músicas em língua brasileira de sinais (Libras) desenvolvidos em escolas com propostas bilíngues para estudantes surdas do sistema municipal de ensino de Vila Velha/ES, em diálogo com os Estudos da Tradução e Interpretação em línguas de sinais (ETILS). Em termos teóricos, a pesquisa apoia-se nos constructos da Sociologia Figuracional elaborada por Norbert Elias (1994a, 1994b, 2001a, 2001b, 2008, 2011) em articulação com os aportes da Sociologia da Tradução, especialmente nas contribuições de Gisèle Sapiro (2008a, 2008b, 2008c, 2010, 2016, 2017, 2019, 2024) e Michaela Wolf (2007, 2009, 2021). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter exploratório, desenvolvida por meio de um estudo de caso em um município capixaba, com a coleta de dados por meio de observação participante e rodas de conversa. O campo de pesquisa foi constituído por escolas com propostas bilíngues para estudantes surdas do sistema municipal de ensino de Vila Velha/ES. As participantes foram nove TILS que atuam em oito escolas diferentes do sistema de ensino municipal. Os instrumentos de registro utilizados foram um bloco de anotações, um notebook e um celular para gravação de áudio e imagens. A pesquisa mostra que a tradução e interpretação de músicas em Libras são práticas socialmente situadas, atravessadas por relações de poder, condições institucionais e trajetórias formativas não lineares, atuam como dispositivos pedagógicos e culturais na escola. A análise dos dados mostrou que, embora haja avanços normativos, a acessibilidade linguística ainda depende de mediações informais e recursos desigualmente distribuídos, o que pode acarretar atuações tradutórias e interpretativas precárias nas instituições escolares. Ainda assim, essas práticas reconfiguram figurações sociais ao ampliar a centralidade da Libras, mesmo sob limitações estruturais e hierarquias linguísticas.
