FAZERPENSAR UMA EDUCAÇÃO AMBIENTAL ANTIRRACISTA: IMAGENSNARRATIVAS COM OS COTIDIANOS ESCOLARES DE VILA NOVA DE COLARES EM CONFLUÊNCIA COM OUTRAS ECOLOGIAS
Nome: ESTER BARRETO BENTO
Data de publicação: 08/06/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| DEBORA CRISTINA DE ARAUJO | Examinador Interno |
| PATRÍCIA RAQUEL BARONI | Examinador Externo |
| SOLER GONZALEZ | Presidente |
Resumo: Esta dissertação articula a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) e a Educação Ambiental (EA) na realização de práticas pedagógicas a partir de uma perspectiva de educação ambiental antirracista. Fundamentada na Lei 10.639/2003 e nas DCNs para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (Brasil, 2004a), a pesquisa compreende o racismo como fenômeno estrutural (Fanon, 2020; Kilomba, 2019; Almeida, 2019), que organiza desigualdades e impacta a educação (Pinheiro, 2023a). Em diálogo com a ERER, compreendida como prática educacional comprometida com o enfrentamento do racismo e com a valorização da identidade negra nos cotidianos escolares, a Educação Ambiental é abordada a partir de uma perspectiva ecologista (Reigota, 1999; Gonzalez; Ramos; Jesus, 2023), compreendendo o meio ambiente como espaço de relações sociais e subjetividades. Nesse entrelaçamento, esta pesquisa tem como objetivo geral realizar práticas pedagógicas de educação ambiental antirracista nos cotidianos escolares, que potencializem a confluência com outras ecologias a partir de imagensnarrativas e leituras de mundo dos estudantes, quanto aos problemas ambientais presentes na vida cotidiana do bairro Vila Nova de Colares. Em específico, propõe-se realizar práticas pedagógicas na disciplina de Língua Portuguesa que possibilitem uma educação ambiental em uma perspectiva antirracista; problematizar questões socioambientais do bairro Vila Nova de Colares articuladas às relações étnico-raciais e produzir um caderno pedagógico situado que articule as imagensnarrativas dos estudantes com outras ecologias, em uma perspectiva antirracista e emancipatória. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa narrativa (Reigota, 1999; Reis; Oliveira; Baroni, 2022), articulada com os cotidianos escolares (Andrade; Caldas; Alves, 2019; Oliveira; Peixoto; Süssekind, 2019; Ferraço, 2007), reconhecendo as imagensnarrativas (Reigota, 1999) como produções de conhecimentossignificações (Alves, 2019). A pesquisa foi realizada com estudantes do 3º ano do ensino médio de uma escola pública em Serra/ES, compreendidos como praticantespensantes (Andrade; Caldas; Alves, 2019), em confluência com as contribuições de Ailton Krenak (2020a; 2020b; 2022), Antônio Bispo dos Santos (2023) e Carolina Maria de Jesus (2014). Como estratégia de produção de dados, foram mobilizadas imagensnarrativas produzidas a partir de registros fotográficos de problemáticas ambientais do território, acompanhados de legendas e compartilhados na plataforma Padlet, além do diário de campo da pesquisadora. A análise das produções não se orienta por um modelo interpretativo tradicional, mas se desdobra na elaboração de um caderno pedagógico como produto educacional, concebido como proposta aberta e situada. Como resultado, acreditamos que a articulação entre EA e ERER potencializa práticas de educação ambiental antirracista, ao reconhecer os cotidianos escolares como espaçostempos de produção de conhecimentossignificações, afirmando a educação como prática política, ética e estética para reinventar outros mundos.
