EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: O TICUMBI E AS CONTRIBUIÇÕES DO NEGRO BRASILEIRO

Nome: VITOR AMORIM DOS REIS

Data de publicação: 12/12/2024

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
DEBORA CRISTINA DE ARAUJO Presidente
EDUARDO DAVID DE OLIVEIRA Examinador Externo
WAGNER DOS SANTOS Examinador Interno

Resumo: O presente trabalho apresenta como objetivo geral analisar as contribuições pedagógicas do Baile de Congo de São Benedito de Conceição da Barra/ES, amplamente conhecido como Ticumbi. A partir de Nascimento (2017), a investigação considerou o “negro
brasileiro” como um conglomerado de povos africanos falantes de muitas línguas e provenientes de diversas regiões. Decorrente do objetivo principal, os específicos foram: investigar práticas utilizadas na perpetuação dos saberes do Ticumbi, focando na
perpetuação do conhecimento dessa tradição; identificar elementos presentes nessa prática que possa se fazer notórios como contribuição pedagógica da população negra no contexto sócio-histórico capixaba, a partir dos fundamentos da Educação das Relações Étnico-Raciais. Nesse sentido, aproprio-me de conceitos como os valores civilizatórios afro-brasileiros de Trindade (2005); tradição viva, de Hampâté Bâ (2010); Oralitura, de Martins (2003); Cosmopercepção, de Oywùmí (2021), além de uma
revisão bibliográfica para compreender as formas de atuação da tradição, respeitando o seu modo particular, territórios e segredos, destacando-se estudos de Oliveira e Oliveira (2022), e Meireles (2018b) e outros. Através de uma pesquisa comprometida com a história africana e afro-brasileira, ancorada na Lei 10.639/2003, de natureza qualitativa foi utilizada como metodologia a (Auto)biografia, proposta por Souza e Meireles (2018). A pesquisa de campo consistiu em acompanhar a tradição do Baile de Congo de São Benedito em seu ritual de ciclo anual, sendo, respectivamente: o ensaio geral, o cortejo na cidade de Conceição da Barra, a apresentação na igreja de São Benedito, a volta para comunidade de Barreiras e o encerramento do ciclo, com a festa de São Sebastião na Vila de Itaúnas. Os resultados demonstraram que nas tradições negro-brasileiras, neste caso em específico o Ticumbi, nem sempre se segue uma “cartilha” ou um sistema formal de ensino e aprendizagem. Esse processo ocorre a depender da vivência de cada mestre/a e da condução das informações necessárias para os/as responsáveis pela
continuidade, sem que isso seja reconhecido como um saber de menor relevância. Um elemento pedagógico de destaque foi a transmissão, ainda que não planejada, de um mais velho para um mais novo, característica da formação recebida desde criança. Outro destaque são as cantigas, muitas produzidas sob improviso, e que buscavam retratar o contexto vivenciado pelos brincantes. No contexto do Ticumbi, tudo é cantado, tudo é reverenciado pela voz. É através dos timbres que são rememorados as divindades, os ancestrais, as forças da natureza entre outros elementos. Por fim, destaca-se a complexidade da tradição em sua potencialidade histórica, trazendo informações de situações de conflitos ocorridas no período colonial, no continente africano, mais especificamente no antigo reino do Congo. Memórias mantidas através da oralidade, passadas de geração em geração pelos integrantes do Baile de Congo de São Benedito de Conceição da Barra, além de uma forte oralidade sobre os acontecimentos ocorridos em território quilombola do Sapê do Norte, que conta com um intenso histórico de luta e resistência

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