Tecendo redes, pescando idéias: (re)significando a inclusão nas práticas educativas da escola
Nome: ROSANA CARLA DO NASCIMENTO GIVIGI
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 06/09/2007
Resumo: Esse trabalho analisa como se constituem as significações e sentidos atribuídos aos sujeitos com necessidades especiais numa escola de ensino fundamental da rede municipal de Vitória, Espírito Santo. Discute as práticas educativas e de inclusão de sujeitos com necessidades educacionais especiais, por deficiência. Para tanto, intervém na escola efetivando práticas reflexivas sobre as práticas educativas, orientada pela interlocução com os princípios histórico-culturais, com o pensamento de Bakhtin e na perspectiva teórico-metodológica da Rede de Significações e da pesquisa-ação. A inclusão revelou-se processual e heterogênea, quando articulou as muitas variantes que fizeram parte dessa discussão, como cenário escolar, os campos interativos , os componentes pessoais. As possibilidades dialógicas com as relações de ensino, os saberes acadêmicos e os saberes cotidianos moveram as análises e a trama da constituição dos sentidos nesse trabalho. Esses sentidos foram entendidos como produções das relações sociais concretas, definidas histórico-culturalmente, associados ao campo da semiótica. A intervenção se deu durante um ano, três vezes por semana, quando buscou-se inicialmente compreender os processos em curso e os sentidos dados ao que era ser um sujeito com necessidades especiais. O diálogo entre as questões teóricas e o material empírico possibilitou discutir a questão da inclusão na escola, as práticas discursivas, as relações que se construíam nesse ambiente, os sentidos dados a ser aluno com necessidades educacionais especiais. Num segundo momento, o trabalho se delineou nas salas de aula, no laboratório pedagógico e em grupo de trabalho com professores e estagiários. Metodologicamente, a pesquisa-ação possibilitou compreender a práxis do grupo de trabalho e interferir no que estava estabelecido. No grupo, construíram-se como dificuldades recorrentes trabalhar com diferentes níveis de aprendizagem; a constituição e funcionamento enquanto grupo, a manutenção de contato com os sujeitos que não se comunicavam verbalmente de forma satisfatória e que exigiam outros recursos comunicativos, e a organização da escola para implementar um projeto inclusivo. A pesquisa-ação mostrou-se uma ferramenta eficaz na intervenção com o grupo de professores e estagiários. Ao final da intervenção observou-se transformações nas falas dos sujeitos envolvidos, quanto aos sentidos dados ao que era ser um aluno com necessidades especiais, no que tange a potencialização dessa condição. Essas mudanças de sentidos foram efeitos de transformações nas práticas. Novas ações produzem novos sentidos e os discursos produzem a prática e, ao mesmo tempo, são produzidos com ela. Na escola rachaduras no que parecia instituído, permitiam perceber que os discursos e práticas já não tentavam garantir uma hegemonia, mas pensar outros sentidos sobre como ser uma escola inclusiva.
