Formar formando-se nos processos de gestão e inclusão escolar
Nome: EDSON PANTALEÃO ALVES
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 25/06/2009
Resumo: Esse estudo, ocupou-se em investigar, no período de março de 2007 a maio de 2008, a atuação de uma equipe de gestão de uma escola pública municipal de ensino fundamental de Vitória-ES. A escola, além da matricula de alunos com deficiência e transtornos globais de desenvolvimento, contava com a organização de um fórum de famílias de alunos com deficiência. Motivados em compreender se a presença de alunos com deficiência e transtornos globais de desenvolvimento faz diferença para a atuação de uma equipe de gestão escolar, e que tipo de implicação seus integrantes desenvolvem no processo de escolarização desses alunos, lançamos como questão central de investigação: como os sujeitos, responsáveis pelos movimentos de formação continuada no cotidiano escolar pedagogos, coordenadores de turno e diretor escolar - ,articulam a gestão nesses e desses movimentos no processo de inclusão escolar? Com esse propósito, na nossa inserção no campo empírico investigado, fizemos uso da perspectiva teórico-metodológica da pesquisa-ação colaborativo-critica. Atuamos no contexto da escola, participando: de reuniões semanais do colegiado do turno matutino, das reuniões de coordenação do fórum de famílias de alunos com deficiência, bem como dos encontros mensais desse fórum e dos eventos organizados por ele; de dias de estudo com os colegiados, e as reuniões da equipe de gestão. Nesses espaços tempos, implementamos, junto com essa equipe, um processo de avaliação interna da escola, que culminou em um seminário de formação continuada. Para a sistematização dos dados, a observação, os estudos de documentos e as entrevistas foram primordiais. Para as análises dos dados, utilizamos como referência a teoria da vida cotidiana de Agnes Heller e de Henri Lefebvre, as contribuições deste últimos sobre a teoria do conhecimento, os indicativos de René Barbier sobre o conceito de implicação e as proposições de Philippe Meirieu sobre o momento pedagógico e operadores pedagógicos por meio dessa base teórica, discutimos sobre: a importância das relações sociais Eu-Outro na constituição dos sujeitos na vida cotidiana, as implicações profissionais nas circunstancias produzidas nessas relações, e os modos de enfrentamento das situações fenomênicas que emergem no contexto de vivência. Em nossas analises, focalizamos os modos como os sujeitos integrantes da equipe de gestão, em meio às tensões, conflitos, concordâncias, discordâncias, continuidades e descontinuidades, tomavam decisões e faziam escolhas para suas ações no trabalho pedagógico-administrativo, que se vinculavam aos processos de formação continuada sobre a temática. Os dados apontam que o fato de que a presença de alunos com deficiência e transtornos globais de desenvolvimento acaba provocando, direta ou indiretamente movimentos da equipe de gestão para engendrar práticas organizativas escolares para o atendimento à escolarização desses alunos, seja no âmbito de direcionamentos para planejamento e organização do currículo, seja no encaminhamento de processos de movimentos de gestão, vinculados a processos de formação continuada, estão imbricados nas relações cotidianas a partir dos desses e necessidades dos sujeitos e da produção de circunstâncias sociais nas quais estão implicados. Assim, na medida em que os gestões planejam e sistematizam esses processos na escola, estão constituindo sua própria formação, pois, ao promover formação, se formam simultaneamente. Esse ato de formar formando-se nos processos de gestão vincula-se à constituição do sujeito/gestor nas suas relações sociais. Isso pressupõe a sua implicação na situação e na relação com o Outro
