O DEBATE POLÍTICO E SOCIAL ACERCA DA INSTRUÇÃO DE CEGOS NO BRASIL E NA FRANÇA NOS SÉCULOS XIX E XX
Nome: SÉRGIO VITOR GOMES LIPARI
Data de publicação: 19/12/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| DOUGLAS CHRISTIAN FERRARI DE MELO | Presidente |
| MIRIA LUCIA LUIZ | Examinador Interno |
| VANDERLEI BALBINO DA COSTA | Examinador Externo |
Resumo: Esta dissertação objetiva investigar o debate político e social suscitado no Brasil e na
França nos séculos XIX e XX que permitiram a sistematização do ensino para a
pessoa com deficiência visual em ambos os países. O problema central reside na
análise crítica desse processo de apropriação e adaptação, considerando o contexto
social e político da época. A hipótese sustentada é que a educação de pessoas com
deficiência visual foi utilizada como símbolo de progresso civilizatório pelas elites, mas
convivendo com práticas efetivas de exclusão e controle social, legitimando uma
modernização formal e mantendo a exclusão real de grande parte da população. Ao
investigar esse passado, procura: 1) compreender por que o desenvolvimento da
Educação Especial no Brasil se deu a partir da educação de pessoas com deficiência
visual; 2) investigar as bases fundantes e a continuidade dos institutos especializados
no Brasil e na França, destacando sua estrutura, permanência e influência no modelo
educacional; 3) examinar a influência dos congressos europeus na educação
brasileira de deficientes visuais no período, com enfoque nas trocas intelectuais e
impactos institucionais e; 4) analisar o papel social proposto ou delegado à pessoa
com deficiência no curso da virada do século e suas consequências na atualidade. A
fundamentação teórica alicerça-se no materialismo histórico-dialético e na filosofia da
práxis de Gramsci, integrando autores da historiografia educativa e social, com
destaque à análise dos processos históricos e discursivos que constituíram o campo
da educação especial. A pesquisa apoia-se na análise documental, revisão crítica de
literatura e exame de fontes primárias, incorporando a Análise de Discurso como
procedimento interpretativo das práticas educativas. Os resultados evidenciam que a
introdução do sistema Braille e a fundação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos
consolidaram avanços técnicos e pedagógicos, mas reafirmaram práticas
assistencialistas e de controle social, limitando a emancipação plena dos sujeitos. As
estruturas do passado influenciam práticas atuais, e o protagonismo das pessoas com
deficiência ainda desafia as barreiras institucionais, técnicas e culturais. O estudo
revela que a educação especial brasileira é fruto de disputas simbólicas e materiais,
configurando-se como campo aberto à transformação e à crítica social.
