O QUE PODE UM INTELECTUAL ORGÂNICO NA CONSOLIDAÇÃO DE UMA POLÍTICA? COSTIN, O CENTRO DE EXCELÊNCIA E INOVAÇÃO EM POLÍTICAS EDUCACIONAIS E SUAS PROPOSIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DOCENTE
Nome: MURILLO RODRIGUES PAES
Data de publicação: 14/10/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| OLINDA EVANGELISTA | Examinador Externo |
| PRISCILA MONTEIRO CHAVES | Presidente |
| SANDRA SOARES DELLA FONTE | Examinador Interno |
Resumo: O presente trabalho se detém na investigação das formas burguesas de atuação no âmbito
da educação básica e no contexto particular do Brasil, tomando por base as iniciativas
desenvolvidas pelo Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (CEIPE-
FGV) e suas proposições para as políticas de formação docente em serviço. Tal Aparelho
Privado de Hegemonia (APH) da classe hegemônica foi fundando em 2016 e encerrou
suas atividades em 2023, tendo sido coordenado e dirigido pela intelectual orgânica
Cláudia Costin, quem ocupou importantes cargos e funções tanto no interior do aparelho
de Estado quanto em Organizações Multilaterais (OMs), contribuindo com sua expertise
e influência política para assegurar a intensificação dos processos de contrarreforma da
escola e do ensino públicos em nosso país. A realização desta pesquisa se justifica pelo
seu mérito de interrogar a maneira como a infiltração de APHs vinculados aos grupos
dominantes no cerne do aparelho burocrático estatal e, sobretudo, no campo da educação,
tem contribuído, de um lado para a impulsionar a mercantilização do direito a instrução
e escolarização básica dos de baixo, e do outro, para educar o consenso e a sociabilidade
das classes subalternas. Trata-se de uma pesquisa analítico-bibliográfica, para a qual a
produção de dados valeu-se de análises documentais e de revisão de literatura. O corpus
documental da pesquisa constitui-se a partir de distintas fontes. De um lado nos
debruçamos sobre os escritos e materiais publicados por Cláudia Costin entre os anos de
2018-2022, que demonstravam o projeto que a classe dominante possuía para a Formação
de Professores (FP) no Brasil. Do outro, destacam-se as principais referências publicadas
pelo Ceipe-FGV entre os anos de 2016-2018, quando esse APH ainda nem sequer
dispunha de uma produção própria e autoral, mas divulgava e traduzia escritos concebidos
por outros grupos; e posteriormente, as literaturas lançadas entre os anos de 2018-2022,
especialmente os resumos de políticas distribuídos aos gestores educacionais que
quisessem seguir as formulações prescritas por esses documentos e implementá-las nas
suas redes de ensino. Os resultados averiguados apontam para o fato de que, as
proposições desse APH burguês para a FP, encontravam-se perfeitamente alinhadas com
o projeto defendido pela classe dominante para a organização dessa contenda educativa,
relacionando-se com as premissas e ideias defendidas por diferentes OM e organismos
financeiros internacionais, e que posteriormente vieram a tornar-se parte da política
oficialmente assumida pelo Estado brasileiro.
