GESTÃO ESCOLAR E EDUCAÇÃO ESPECIAL: TRAVESSIAS NAS PRÁTICAS ADMINISTRATIVAS E PEDAGÓGICAS

Nome: MARCELO LOUREIRO UCELLI

Data de publicação: 22/09/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
DIEMERSON DA COSTA SACCHETTO Examinador Externo
EDUARDO AUGUSTO MOSCON OLIVEIRA Examinador Interno
ISABEL MATOS NUNES Examinador Interno
OCTÁVIO CAVALARI JÚNIOR Examinador Externo
REGINALDO CELIO SOBRINHO Presidente

Resumo: Esta tese tem como objetivo geral analisar as implicações das práticas de gestão
escolar nos processos educativos escolares vividos por estudantes público da
Educação Especial nas classes comuns do ensino regular em três unidades de ensino
da rede estadual do Espírito Santo. Associados a esse propósito, foram estabelecidos
como objetivos específicos: tecer compreensões sobre como o planejamento do uso
da estrutura física das instituições de ensino, bem como do uso de recursos e dos
materiais específicos e/ou especializados compõem as práticas pedagógicas e de
gestão escolar nas realidades investigadas; e elaborar apontamentos sobre as
implicações das propostas e dos planos de ação conduzidos pelas equipes de gestão
nos modos de organização do trabalho dos/as profissionais de ensino, na perspectiva
da inclusão escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se na
Sociologia Figuracional de Norbert Elias e dialoga com estudos sobre gestão escolar
e Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. O trabalho de campo foi
desenvolvido em três unidades de ensino da rede estadual do Espírito Santo,
localizadas no município da Serra. Para a produção dos dados, foram realizadas
consulta documental aos Projetos Político-Pedagógicos, regimentos e outros
documentos institucionais, observação direta do cotidiano escolar com registros em
diário de campo e rodas de conversa com sete profissionais das equipes de gestão,
sendo três integrantes da direção escolar, três da coordenação pedagógica e um da
coordenação de turno. Os resultados evidenciam que o planejamento da
infraestrutura, dos recursos e dos materiais não se reduz à provisão de condições
físicas, mas constitui uma dimensão político-pedagógica da gestão escolar,
atravessada por decisões sobre prioridades, participação dos profissionais, uso dos
espaços e respostas às necessidades dos estudantes. A análise mostra que a
inclusão se realiza de modo desigual porque a existência de recursos, por si só, não
assegura sua incorporação às práticas educativas; sua efetividade depende das
formas como esses recursos são apropriados, articulados e reorganizados no
cotidiano escolar. Verificou-se também que as propostas e os planos de ação das
equipes gestoras produzem efeitos diretos sobre a organização do trabalho dos
profissionais, especialmente no que se refere ao planejamento coletivo, à distribuição
de responsabilidades, à acessibilidade curricular e à articulação entre a classe comum
e o Atendimento Educacional Especializado. Os dados indicam que práticas
colaborativas se tornam mais consistentes quando existem tempo institucionalizado,
continuidade dos profissionais, circulação de informações e acompanhamento
pedagógico, enquanto sua ausência favorece fragmentação, sobrecarga e
dependência de iniciativas individuais. A análise também evidencia que a articulação
entre o AEE e a classe comum permanece como um dos pontos mais sensíveis do
processo inclusivo, sobretudo quando atravessada por dependência de laudos,
fragilidade da articulação intersetorial e exigências burocráticas. Sob a perspectiva da
Sociologia Figuracional, conclui-se que essas diferenças não decorrem de ações
isoladas dos gestores, mas das relações de interdependência e das condições
materiais, organizacionais e institucionais que configuram cada contexto escolar.
Conclui-se que as práticas de gestão implicam diretamente a organização das
condições em que se desenvolvem os processos educativos dos estudantes público
da Educação Especial, mas a atuação das equipes gestoras encontra limites em
questões estruturais que extrapolam sua capacidade de decisão. Nesse sentido, a
pesquisa evidencia que a inclusão escolar permanece sustentada, em parte, por
reorganizações e arranjos construídos cotidianamente pelas equipes escolares diante
de condições que demandam maior sustentação das políticas públicas.

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