MÃOS NA TERRA, PÉS NO CHÃO: A PARTICIP(AÇÃO) ATIVA DAS CRIANÇAS NO CAMPO
Nome: JUSSIMARA DOS SANTOS GIMENES
Data de publicação: 15/05/2025
Banca:
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Papel |
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JANINHA GERKE | Examinador Interno |
JAQUELINE PASUCH | Examinador Externo |
KEZIA RODRIGUES NUNES | Examinador Interno |
ROGERIO DRAGO | Examinador Interno |
ROSALI RAUTA SILLER | Presidente |
Resumo: Neste trabalho, investigo os modos de participação ativa das crianças pequenas no contexto da educação infantil do campo, com foco em uma escola localizada no município de Guarapari/ES. Parto do entendimento de que garantir o direito de participação das crianças exige desconstruir práticas adultocêntricas e colonialistas, ainda presentes nas rotinas escolares, que silenciam e subordinam as infâncias. Com base nisso, proponho compreender como as crianças participam dos tempos e espaços da instituição e quais os desafios enfrentados para a construção de uma Pedagogia Intercultural. Como arcabouço teórico, aproprio-me: 1) dos estudos de Caldart, trazendo os aspectos da educação do campo; 2) das contribuições de Philipe Àries e Kuhlmann Júnior, na trajetória da infância; 3) de Florestan Fernandes, Willian Corsaro e Sarmento, na discussão da Sociologia da Infância; 4) de Sarmento e Kramer, na reflexão sobre a educação infantil; e 5) de Catherine Walsh, e outros, na perspectiva da interculturalidade. Utilizo a abordagem qualitativa, com base na pesquisa etnográfica, valendo-me da observação participativa, notas de campo, rodas de conversa, escuta ativa e diálogos informais com crianças e adultos. Os resultados revelam que as crianças, mesmo em contextos marcados por práticas pedagógicas tradicionais, constroem formas próprias de inserção e de resistência, exercendo a sua agência ao interagir com os colegas, reorganizar espaços, propor ideias e contestar regras. Observei que elas ocupam ativamente os tempos de entrada, de saída, de recreio e de parquinho, estabelecendo alianças entre si e com os adultos, manifestando opiniões, desejos e incômodos. Apesar da existência de barreiras impostas por uma lógica escolar adultocêntrica, foi possível identificar gestos cotidianos de participação, como a escolha de atividades, o cuidado com o outro, a colaboração nas tarefas e o uso da fala e do corpo como expressão de autonomia. Como produto educacional, apresento um caderno temático construído a partir da experiência coletiva de uma horta com crianças da Educação Infantil da escola. O material, voltado a educadores e crianças, propõe reflexões e práticas que valorizam a autonomia, o cuidado com o território e a educação ambiental. Além disso, constitui-se como uma proposta decolonial, centrada na escuta e nos saberes da infância.